Karma Yoga: como orientar nossas ações para o bem



Swami Vivekananda foi um monge hindu e discípulo de Ramakrishna, místico indiano e yogi do século 19, que introduziu a filosofia indiana para o mundo ocidental. No seu livro “Karma-Yoga”(1896), ele explica essa modalidade do yoga como uma disciplina mental que permite uma pessoa exercer seus deveres como um serviço para o mundo inteiro e um caminho para a iluminação. 
“O conhecimento espiritual é o único que pode destruir nossas misérias para sempre; os demais só satisfazem as necessidades por algum tempo. O conhecimento do espírito é o único que pode destruir o desejo para sempre”

Vivekananda aconselha que depois do caminho espiritual é preciso desenvolver o intelectual, porque a vida tem pouco valor na ignorância. Enquanto a natureza do homem não mudar, as necessidades físicas continuarão, por isso o conhecimento espiritual e o intelectual devem vir primeiro. “A ignorância é a mãe de todos os males e misérias”, alerta.

Ao se inspirar no Bhagavad Gita (diálogo contido no épico Mahabárata do século 4 a.C. onde o guerreiro Arjuna representa uma alma confusa sobre seu dever e recebe esclarecimentos de Krishna sobre autorrealização), Vivekananda lembra que devemos trabalhar incessantemente e que toda obra é composta pelo bem e o mal, ou seja, tudo o que fazemos tem um resultado bom para algo ou alguém e ruim para outra parte, seja onde essa parte estiver. A lei natural é que o bem e o mal produzirão seus resultados, seu karma.

Se cultivarmos apenas maus pensamentos e executarmos más ações, nossa mente estará cheia de más impressões, e nossa tendência inerente (sanskara), nos levará a praticar o mal, enquanto o contrário trará uma experiência positiva, e não mais conseguiremos praticar o mal. É esse controle que devemos exercitar para revelar a verdade sobre nossos atos e resultados.

Vivekananda recorre a filosofia samkhya, uma das seis doutrinas clássicas do hinduísmo, para explicar que este mundo é somente um dos muitos estados pelos quais estamos passando: “A totalidade da natureza é para a alma, não a alma para a natureza”, ou seja, a natureza não existe senão para a educação da alma, que irá libertar-se após adquirir o conhecimento.

Quando Vivekananda explica o que é o nosso dever, ele destaca que há variações conforme a espiritualidade, estados de vida, épocas e nações, mas em essência, qualquer ação que nos aproxime do ser supremo é boa e representa nosso dever, desde que sem intenção de fazer o mal.

Portanto, nosso dever para com os outros é ajudá-los a fazer o bem, consequentemente, um mundo melhor nos beneficia. “É o homem mentalmente equilibrado, de juízo sereno e capaz de experimentar simpatia e amor, que se faz boa obra e se favorece a si mesmo”, resume.

Em “Karma-Yoga”, Swami Vivekananda explica o desapego reforçando o significado de ação e reação. Quando cometemos ou intencionamos um ato ou pensamento mal, atraímos vibrações negativas que podem nos afetar fisicamente ou psicologicamente. Não apenas quando maldizemos algo ou alguém estamos projetando vibrações negativas para o universo, mas também quando pensamos. “O pensamento projetado por um cérebro segue vibrando até encontrar sintonia a quem o capte” afirma Vivekananda.

Karma-Yoga nos ensina que esse mundo é passageiro e que a liberdade está além dele, mas para atingi-la temos que passar pela ação. Então como alcançar o estágio de karma-yogues? Segundo Vivekananda, as diferentes modalidades de yoga nos conduzem ao mesmo fim, mas todo o segredo se encontra na prática: ouvir, pensar e agir. A explicação de tudo está em nós mesmos, só temos que despertar o nosso mestre interno.

“Não me preocupo em conhecer as diversas teorias acerca de Deus. De que serve discutir sobre as sutis doutrinas da alma? Pratique o bem e ele conduzirá você à verdadeira liberdade” Budha.

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